O trabalho realiza uma mescla entre dois tradicionais gêneros: o do retrato e o da natureza-morta. Por um lado, existe um expressivo rosto de matriz africana com uma técnica que valoriza uma aproximação com aquilo que entendemos como realidade. Por outro, há florais e borboletas, nessa mesma perspectiva de representação de um mundo reconhecível. O conjunto, com um cromatismo que traz o vermelho, além de grisalhas e áreas brancas e pretas, apresenta uma composição equilibrada em que a intensidade da figura feminina dialoga com o simbolismo da ressurreição evocada pelas borboletas que necessitam armazenar forças antes de romper o casulo e ganhar voo. Analogamente, a mulher representada, para se manifestar com intensidade, tem toda uma história para contar, assim como o pintor que a criou.